Passei muito tempo tentando transformar essa história em motivo para mágoa, acreditando que eu não poderia me sentir bem ao lembrar dela somente porque ela não terminou bem. Hoje em dia, um pouco mais madura, eu percebo a bobeira envolvida. Que eu posso, e devo, me lembrar com carinho de tudo isso, pois foi a primeira vez em que me senti amada por alguém na vida. Depois de entrar em acordo com o meu eu, estou liberada para me sentir feliz por essa história, e seguir minha vida permanecendo dando a mínima para a pessoa em questão, mas sendo eternamente grata pelo que ela me proporcionou.
No ensino médio eu mudei de escola, e nessa outra escola conheci pessoas
novas. Uma dessas pessoas foi o L. L estudou nessa escola até a 8º série, e eu
fui estudar lá no ano seguinte, de forma que não nos conhecemos. Mas L tinha
muitos amigos que continuaram estudando lá, e um deles era o P, que se tornou
um grande amigo meu quando eu fui estudar lá.
L quis saber das novas amigas de P, e P apresentou uma amiga e eu para
L. Isso tudo aconteceu via MSN e Orkut (♥).
Na minha primeira conversa com L pelo MSN, ele desdenhou de mim. Me
aborreceu logo de cara, era um presságio, mas é corriqueiro nos apaixonarmos
por quem irrita a gente. Mas o que ele fez? Riu de mim quando eu respondi que
gostava de rock quando ele me perguntou que estilo de música eu curtia. E ainda
completou com um "é avril lavigne o rock que você curte?". Mais um
que foi ludibriado por minha aparência angelical. Não duvida da minha
capacidade de gostar de música que faz muito barulho, amigão. Daí ele pediu pra
eu falar das bandas que eu curtia, e é incrível que se eu for falar isso pra
alguém AGORA, serão as mesmas bandas que disse para ele anos atrás: Pearl
Jam, System Of a Down, Slipknot, Rammstein... Essa deve ser a única coisa que
não mudou.
Apesar disso, ao longo do tempo fomos descobrindo muitas coisas em
comum. Conversávamos todos os dias, já dava para dizer que éramos amigos, até
que um dia ele disse que iria na minha escola para me conhecer pessoalmente.
Ok. Não contei pra ninguém sobre isso, mas ele sim. No tal dia cheguei na
escola e estavam o P e as minhas amigas ensandecidos pois L iria lá depois da
aula para me ver. Eu estava de boas até aquele momento, mas depois eu não
estava mais graças a injeção de adrenalina que tomei. Eles falaram sobre essa
visita a manhã inteira, não me deram sossego. Até que o sinal de saída da
escola tocou, ativando meu sistema nervoso simpático. MAS COMO É QUE FAZ ISSO
DE CONHECER ALGUÉM DA INTERNET, DEUS? Eu tinha dado 2 beijos na vida até então,
e na mesma pessoa. Eu não sabia procederrrrr. E as minhas amigas no meu ouvido:
AMIGA, PASSA UM GLOSS! AMIGA, DEIXA EU AJEITAR SEU CABELO! AMIGA, RETOCA O
LÁPIS DE OLHO! Gente, eu só queria saber como chegar lá sem tropeçar e fingindo
que estava tudo sob controle. Que aquilo era normal na minha vida. Que eu já
tinha feito aquilo várias vezes. Experiente. Bem resolvida. E daí ele me
surpreendeu.
Eu estava esperando encontra-lo na porta da escola. Lá na saída.
Calçada. Longo percurso de caminhada. Bastantes metros pro meu coração se
preparar. Mas ele estava sentado no banco dentro da escola. Eu não tive tempo
pra isso. Fiz a curvinha e dei de cara com ele. Eu não estava preparada para
aquilo. Deus do céu, eu devo ter reagido ridiculamente. Mas fui lá falar com
ele. O mais estranho é que eu nunca tinha visto uma foto dele, mas eu
simplesmente sabia que era ele.
Um tempo depois acompanhei uma conversa de L e P pelo orkut (stalker) em
que P perguntava se L achava que tinha feito a escolha certa. Eu entendo a
pergunta, já que P tinha apresentado também uma amiga minha além de mim, e M é
milhões de vezes mais bonita do que eu. E L respondeu que não tinha dúvida de
que tinha feito a escolha certa.
Dali pra frente eu soube, eu estava sendo amada pela primeira vez. Eu
senti aquilo, e era recíproco. Não tinha espaço pra dúvida. E graças a esse
sentimento não ficamos juntos, pois eu precisava proteger o L. Um tempo atrás
tentei esclarecer isso, e espero do fundo do meu coração que ele tenha
compreendido.
Anos depois o próprio L me falou que o que ele sentiu foi tão forte que
atrapalhou vários relacionamentos dele posteriormente, e tudo que eu desejo pra
ele é que ele possa encontrar alguém que o faça sentir isso novamente, e até
mais, isso se ele já não encontrou.
Minha eterna gratidão L, foi curto mas foi significativo. Não foi em
vão.
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