8 de novembro de 2011

Libertação

Passei muito tempo tentando transformar essa história em motivo para mágoa, acreditando que eu não poderia me sentir bem ao lembrar dela somente porque ela não terminou bem. Hoje em dia, um pouco mais madura, eu percebo a bobeira envolvida. Que eu posso, e devo, me lembrar com carinho de tudo isso, pois foi a primeira vez em que me senti amada por alguém na vida. Depois de entrar em acordo com o meu eu, estou liberada para me sentir feliz por essa história, e seguir minha vida permanecendo dando a mínima para a pessoa em questão, mas sendo eternamente grata pelo que ela me proporcionou.
No ensino médio eu mudei de escola, e nessa outra escola conheci pessoas novas. Uma dessas pessoas foi o L. L estudou nessa escola até a 8º série, e eu fui estudar lá no ano seguinte, de forma que não nos conhecemos. Mas L tinha muitos amigos que continuaram estudando lá, e um deles era o P, que se tornou um grande amigo meu quando eu fui estudar lá.  L quis saber das novas amigas de P, e P apresentou uma amiga e eu para L. Isso tudo aconteceu via MSN e Orkut ().
Na minha primeira conversa com L pelo MSN, ele desdenhou de mim. Me aborreceu logo de cara, era um presságio, mas é corriqueiro nos apaixonarmos por quem irrita a gente. Mas o que ele fez? Riu de mim quando eu respondi que gostava de rock quando ele me perguntou que estilo de música eu curtia. E ainda completou com um "é avril lavigne o rock que você curte?". Mais um que foi ludibriado por minha aparência angelical. Não duvida da minha capacidade de gostar de música que faz muito barulho, amigão. Daí ele pediu pra eu falar das bandas que eu curtia, e é incrível que se eu for falar isso pra alguém AGORA, serão as mesmas bandas que disse para ele anos atrás: Pearl Jam, System Of a Down, Slipknot, Rammstein... Essa deve ser a única coisa que não mudou.
Apesar disso, ao longo do tempo fomos descobrindo muitas coisas em comum. Conversávamos todos os dias, já dava para dizer que éramos amigos, até que um dia ele disse que iria na minha escola para me conhecer pessoalmente. Ok. Não contei pra ninguém sobre isso, mas ele sim. No tal dia cheguei na escola e estavam o P e as minhas amigas ensandecidos pois L iria lá depois da aula para me ver. Eu estava de boas até aquele momento, mas depois eu não estava mais graças a injeção de adrenalina que tomei. Eles falaram sobre essa visita a manhã inteira, não me deram sossego. Até que o sinal de saída da escola tocou, ativando meu sistema nervoso simpático. MAS COMO É QUE FAZ ISSO DE CONHECER ALGUÉM DA INTERNET, DEUS? Eu tinha dado 2 beijos na vida até então, e na mesma pessoa. Eu não sabia procederrrrr. E as minhas amigas no meu ouvido: AMIGA, PASSA UM GLOSS! AMIGA, DEIXA EU AJEITAR SEU CABELO! AMIGA, RETOCA O LÁPIS DE OLHO! Gente, eu só queria saber como chegar lá sem tropeçar e fingindo que estava tudo sob controle. Que aquilo era normal na minha vida. Que eu já tinha feito aquilo várias vezes. Experiente. Bem resolvida. E daí ele me surpreendeu.
Eu estava esperando encontra-lo na porta da escola. Lá na saída. Calçada. Longo percurso de caminhada. Bastantes metros pro meu coração se preparar. Mas ele estava sentado no banco dentro da escola. Eu não tive tempo pra isso. Fiz a curvinha e dei de cara com ele. Eu não estava preparada para aquilo. Deus do céu, eu devo ter reagido ridiculamente. Mas fui lá falar com ele. O mais estranho é que eu nunca tinha visto uma foto dele, mas eu simplesmente sabia que era ele.
Um tempo depois acompanhei uma conversa de L e P pelo orkut (stalker) em que P perguntava se L achava que tinha feito a escolha certa. Eu entendo a pergunta, já que P tinha apresentado também uma amiga minha além de mim, e M é milhões de vezes mais bonita do que eu. E L respondeu que não tinha dúvida de que tinha feito a escolha certa.
Dali pra frente eu soube, eu estava sendo amada pela primeira vez. Eu senti aquilo, e era recíproco. Não tinha espaço pra dúvida. E graças a esse sentimento não ficamos juntos, pois eu precisava proteger o L. Um tempo atrás tentei esclarecer isso, e espero do fundo do meu coração que ele tenha compreendido.
Anos depois o próprio L me falou que o que ele sentiu foi tão forte que atrapalhou vários relacionamentos dele posteriormente, e tudo que eu desejo pra ele é que ele possa encontrar alguém que o faça sentir isso novamente, e até mais, isso se ele já não encontrou.

Minha eterna gratidão L, foi curto mas foi significativo. Não foi em vão.

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