7 de novembro de 2021

O quanto já me afetei pela opinião alheia e tentei ser quem não sou

Quando eu era criança sofri bullying na escola por ter piolho. Já escrevi sobre isso e de jeito nenhum vou procurar o post para linkar aqui, mas para clarear o entendimento: tive piolho por muitos anos, nada funcionava contra eles e eu era muito excluída pelas outras crianças, tanto no âmbito escolar, quanto com as crias das amigas da minha mãe. Eu odiei e odeio meu ensino fundamental e a escola que estudei. Houveram dias que eu chorava por não querer ir praquele lugar, com aquelas pessoas. 

Quando os piolhos finalmente cessaram e minha turma do colégio reduziu drasticamente, eu me vi em um grupo com meninas que eram populares & queridas & bonitas & OPA eu fazia parte de algo!!! E eu não podia perder aquilo!! Eu saía com aquelas pessoas, ficava com elas no recreio, tirávamos e postávamos fotos no flogão, eu estava sendo enxergada por pessoas que não me enxergaram por ANOS. Eu fazia o que eles queriam fazer, eu gostava do que eles gostavam, eu falava como eles falavam, porque eu queria FAZER PARTE e eu nunca tinha FEITO PARTE então eu não sabia como eu tinha que fazer para FAZER PARTE.

Um dia estávamos no intervalo entre uma aula e outra, esperando o professor chegar, e uma dessas meninas surgiu com uma revista nova da Todateen e falou:

- OLHA GENTE, A TODATEEN DESSE MÊS FOI INSPIRADA NA PAOLA!

Eu, sempre boba, perguntei rindo:

- Ué, por que?

Ela virou a revista pra mim e a matéria falava sobre Maria vai com as outras. E quando eu questionei o que aquilo significava (eu realmente não sabia), ela só respondeu, com sorriso e tom de escárnio:

- Vou te emprestar a revista e aí você descobre.

Eu não li a revista na aula porque naquela época eu era o tipo de aluna que tirava 8,0 em teste surpresa de matemática, e não é porque eu era boa em matemática. E ainda bem que eu esperei chegar em casa.

Eu fiquei muito triste e chorei muito. Achava que estava fazendo tudo certo, participando, que eles gostavam de mim e, afinal, eu continuava sendo o zero à esquerda de sempre. Eu era só uma pessoa que "copiava" eles, a sem personalidade, etc.

Lembro de ficar muito confusa e a minha cabeça era só o meme da Nazaré, mas aquela foi só mais uma questão sobre mim que precise resolver. Sozinha.

Não, eu não gostava de festas em que havia um apagão e qualquer pessoa podia me beijar.

Não, eu não gostava de dançar em festas da escola.

Não, eu não gostava de babado novo. Nem da claudia leite. Nem de abadares. Nem de quem usava eles como roupa normal.

Não, eu não gostava que me chamassem de chokito. Embora eu ame chokito. 

Não, eu não gosto de baladas em que as pessoas vão passar a mão em mim e não há nada que eu possa fazer. 

Não. Muitos nãos.

Daí pra frente eu mudei, julgo que renasci.


Oi, meu nome é Paola. Eu gosto de Legião Urbana e Cazuza. Nada contra rosa, mas prefiro preto. Esses bonés que brilham são ridículos, assim com essa coreografia de baby boy, ainda bem que a beyoncé nunca vai ver isso. Eu odeio com todas as forças do meu ser essa corda do caranguejo. Eu gosto de ler, escrever e passar meus finais de semana assistindo animações. Amo muito Harry Potter e meu sonho é conhecer a Itália por causa de Um Sonho de Popstar.

Várias das características da Paola que eu vinha descobrindo que eu era atraíram pessoas. Uma dessas pessoas me chamava de "minha princesa gótica" e disse que levaria rosas pretas para me visitar no hospital quando fui mordida por um cachorro, sendo que eu sequer fiquei internada. Essa pessoa um dia foi me buscar depois da aula e fomos ao Mc Donald's. O uniforme do meu novo colégio era uma farda, e eu precisava usar o cabelo preso e uma boina. Quando chegamos ao Mc, a tal pessoa me perguntou: 

- Você precisa ficar com isso (boina) até aqui?

E eu respondi que teoricamente precisava, mas que eu sempre tirava.

- Então tira, prefiro você de cabelo solto.

Eu besta: 


Nisso ele "me ajudou" a ajeitar o meu cabelo. Ele colocou meu cabelo todo na minha cara. Meu cabelo quase cobria meus olhos. Aquilo, obviamente, começou a me incomodar e eu fui pegar uma xuxinha para prender. Ele percebeu meu movimento e disse:
- Não! Deixa assim! Eu prefiro assim porque tampa as suas espinhas.

Nunca mais.

Bom, mais ou menos.


Eu namorei uma pessoa. Essa pessoa se tornou amigo das minhas amigas. Anos depois do término houve um revival e a reaproximação com as minhas amigas foi natural. Um dia, conversando com minha melhor amiga, ele disse que não gostava de meninas brancas. 

Sei lá sabe, talvez ele não tenha notado que eu tenho cor de parede, coitado, homem... hehe

E minha amiga que nunca erra perguntou:

- Ué, mas e a Paola??

Não lembro qual foi a resposta dele, só lembro que eu, graças a esta declaração, atingi níveis de trouxa nunca superados.

Acabou o romance mas eu ainda queria o romance, e daí concluí que a única forma de reatar o romance era ME TORNANDO O QUE ELE QUERIA.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAH

PUTA QUE PAREO COMO EU ERA IMBECIL

Então você gosta de peitos? Eu tenho peitos. Você gosta de roupas decotadas? Eu usarei. Você gosta de bunda? Só lamento. Você gosta de bronze e marquinha? Então tá bom. E lá fui eu pro meu plano. 

Botei um biquíni, catei o bronzeador da minha mãe, tomei banho daquilo e passei o dia torrando no sol. Um pequeno detalhe que esqueci é que EU NÃO FICO BRONZEADA. Eu passei o dia todo no sol e fiquei ROSA. Eu fico rosa e facilmente me dá QUEIMADURA. E eu tive queimaduras na região do colo e na testa. O que eu pensei? AH MAS EU TÔ COM MARQUINHA DO BIQUÍNI.

Me arrumei toda e coloquei a blusa mais decotada que eu tinha. Uma blusa que ganhei e nunca consegui usar justamente por ser muito decotada e me deixava desconfortável. Mas ele não gostava de decote? Então vamos de decote!

Eu tinha os peitos, o decote, a marquinha e o bronzeado rosa, agora eu só precisava ir para o lugar que ele ia todo sábado e fingir que foi um encontro casual. Eu já estava pronta pra sair e minha mãe apareceu. 


Não me deixou sair. A Paola de hoje pensa "ainda bem", a Paola adolescente brigou até cansar e afinal passou o sábado passando loção calmante na pele.

Não muito tempo depois ele apareceu namorando uma menina que era eu só que de olhos verdes.


Não me reduzo, não me adapto, não finjo gostar de nada pra caber no mundo de ninguém. Não importa como você é, quem você é. Se a pessoa quiser ficar com você, ela vai te aceitar como tu és. Eu aprendi isso da pior forma, mas ainda bem que eu aprendi.

E agora sim posso dizer: nunca mais!



Depois de muitos anos sem postar aqui reapareço com um texto que também é muito velho, mas que não quis jogar fora sem compartilhar. 

É gratificante olhar pra trás e ver quantas mudanças positivas ocorreram por aqui.

8 de março de 2019

Um jacaré no SUP

Das coisas que acontecem quando eu tento me envolver com a natureza: o episódio do stand up paddle.

Eu amo a natureza. Amo as plantas todas, a maioria dos animais, as cores, os cheiros. Por outro lado, a minoria dos animais que eu não amo eu odeio e tenho repulsa com todas as minhas forças. Eu não mato porque sou da política do "tu lá e eu cá", e nem tenho coragem suficiente de chegar perto deles, muito menos se for pra matar. Essa minoria abrange de insetos até animais maiores. Esses dias eu estava limpando a cozinha do Elias e quando joguei água na bancada saiu de um buraco uma lacraia do tamanho de uma anaconda. A desgraçada ainda era tão gorda que teve que ficar rebolando para conseguir sair do buraco, tipo como quando nós tentamos entrar em uma calça que já não nos cabe tão bem assim. Eu fui atrás dela com um inseticida? Não. Eu taquei o chinelo nela? Não. Eu simplesmente larguei a cozinha como estava, saí e fechei a porta. Ficou pra ela todas as coisas que estavam lá, a cozinha, e se pá a casa (que nem é minha mas eu já estava dando pra lacraia gigante). Só fechei a porta pra evitar que os gatos fossem lá caçar ela e me aparecessem trazendo aquilo de presente. Eu não sou louca de ir encarar aquele bicho, tenho muito discernimento graças a Deus!!! 

Mas... vamos voltar ao dia do SUP!!

Era carnaval, um belíssimo dia de sol, vamos passear. Muito bonitas as fotos das pessoas em cima daquelas pranchonas, bastante cariocas, esbanjando qualidade de vida, etc, eu queria também. A gente ignora todas as possibilidades de dar merda nessas horas. O local que fomos fica na restinga da marambaia, e como o próprio nome já diz, é uma RESTINGA, e restingas tem animais dos que classifico como os que não gosto.

FOMOS.

Chegando lá eu e Elias fomos humildes reconhecendo que não se adequa a nossa realidade essa coisa de "muito cariocas, esbanjando qualidade de vida etc" porque a gente não faz sequer uma caminhada nessa vida, então reconhecemos que talvez a tal da prancha de stand up paddle não fosse uma boa ideia e fomos de caiaque, o mesmo pros 2. Além de que ir de prancha seria superestimar demais minha noção de equilíbrio & direção.

Observações: 
1) avisaram da existência dos bichos detalhando exatamente como eles ficam? Sim.
2) avisaram que o caiaque pra 2 pessoas tinha potencial pra dar uma merda colossal e estabelecer uma crise no casal? Também.
3) sou a personificação da tenacidade e quis ir da mesma forma? Óbvio.   
4) eu fiquei empolgada com a experiência e nem pensei na possibilidade de enjoar no caiaque já que eu não posso ver um troço que navega que já tô passando mal? Exato.

Começamos o passeio em um espaço aberto e sem muita vegetação onde o maior dos problemas era eu e Elias conseguirmos entrar em sincronia para remar aquela porra. Eu esqueci de perguntar mas queria saber onde que ele aprendeu a remar coisas porque eu tive uma educação muito urbana e nunca havia precisado remar nada até meus 27 anos, 11 meses e 16 dias. Para mim era simplesmente colocar o remo na água, fazer um esforcinho e com a força da mente aquele troço iria fazer o que eu queria. Mas claro que não funciona assim e eu estava lá só o meme da nazaré.


Até aí tuuuuudo bem!
Mas nós começamos a entrar em um espaço em que a vegetação era mais densa, mais fechada. Mermão, aquilo começou a me dar uma angustia. Tudo que eu havia entendido sobre remar caiaques evaporou da minha mente e eu fiquei só o desespero de chegar perto de uma daquelas plantas. Na minha cabeça eu só imaginava aquele caiaque batendo em um tronco de árvore e derrubando alguma cobra que estava tomando sol num galho bem dentro daquele caiaque ou até em cima de mim, e o MAJESTOSO ESCÂNDALO que eu faria naquele momento, e daí eu pulando pra fora do caiaque naquela água fedida e a cobra pulando também e vindo nadar perto de mim e me puxando para o fundo da marambaia onde eu jazeria até o fim da minha última célula. Ou talvez um daqueles crustáceos caindo dentro do caiaque e vindo beliscar minha bunda. ENFIM, possibilidades pra minha mente doentia criar foi o que não faltou. E por isso eu não conseguia me concentrar em pilotar aquele caralho porque eu estava ocupada demais pensando em todas as coisas que poderiam acontecer, ao mesmo tempo que eu tentava desesperadamente fazer alguma coisa quando via que o negócio estava indo justamente pra onde eu não queria que fosse por culpa todinha minha. 

Em suma, o percurso foi todo assim. Eu gritando, brigando com o Elias, dizendo que queria ir embora, bem estressada e remando errado. Enquanto que minhas cunhadas bem plenas e belas em cima da prancha, eu lá igual uma maluca berrando. Até que chegou o ápice de tudo. Quem nunca entrou no G1 e leu uma notícia sobre algum jacaré perdido em algum lugar do Rio de Janeiro? É jacaré atravessando a rua, jacaré invadindo condomínios, jacaré preso na tubulação, etc. Eu acompanho todas porque a minha diversão é ficar enviando essas notícias para meu amigo paulista que tem pavor de jacarés. Mas nem todas as notícias que li foram o suficiente para me lembrar da possibilidade de encontrar um jacaré ali.

Quando estávamos fazendo o percurso da volta, contra a correnteza, em um determinado momento alguém gritou O QUE É AQUILO ALI????? Quando eu olhei era um troço verde boiando na água que eu nem parei pra analisar o que era, já fui logo remando (errado) pra ir pra bem longe daquilo. Botando toda minha força pra ir rápido e contra a correnteza (mas continuava fazendo errado). Daí alguém disse que era uma pedra. Relaxei. No mesmo minuto o Elias gritou NÃO É UMA PEDRA!!! E eu só ouvia ele colocando toda a força dele contra a água pra sair dali. E eu já calma (dentro do possível) respondi "calma cara, era uma pedra". E ele:

NÃO É UMA PEDRA!!!!!! VOCÊ ACHA QUE EU ESTARIA FAZENDO TODA ESSA FORÇA SE FOSSE UMA PEDRA????

Desesperei de novo. Naquele momento minha cabeça não funcionava mais. Meu corpo executava ações involuntárias (e inúteis, diga-se de passagem) enquanto na minha mente só passava um letreiro de aviso SAI DAÍ AGORA CARALHO DE GAROTA MALUCA!!!!!!!
A próxima coisa que lembro, nós já estávamos de volta a parte da vegetação fechada e densa, indo mais devagar por causa das plantas. Ainda estava em alerta porque o risco de bater numa árvore e cair uma cobra etc ainda era iminente, mas a adrenalina do jacaré tinha passado. Eis que falo para o Elias: "putz mano, era um jacaré", e ele responde:

"heheheheehehehehehehe, não, era uma pedra mesmo"


MERMÃO


MER
MÃO
!!!!!!!!!

Eu fiquei tão puta............ mas tão puta.............

Nesse momento eu era só: braveza  cansaço  calor  enjoo  dor nos braços  dor nas pernas impaciência  quero ir embora  acaba logo 

Fica aí de lembrete pra eu escolher melhor as coisas na natureza que eu for fazer na vida. De preferência algo em terra porque se precisar eu sei correr. Pelo amor de Deus, que desespero. Só fico imaginando se fosse realmente um jacaré, o que ele pensaria ao ver uma doida fazendo um escândalo por causa da presença dele enquanto que ele estava ali só dando uma refrescada e pegando um sol. Já se fosse um crocodilo, eu não estaria aqui escrevendo esse texto agora. E afinal, nem a foto blogueira em cima da prancha esbanjando qualidade de vida eu tirei. Passeio de índio, literalmente.


(mas eu voltaria se fosse pra ir na prancha e em espaços mais abertos  :x  ) 

3 de outubro de 2018

Das coisas que eu tenho semi posto fogo ultimamente

Eu nunca fui uma pessoa muito certa, mas com a criação dos smartphones e o vício em redes sociais eu me tornei potencialmente destrutiva. Em março desse ano minha gatinha ficou doente e precisava ingerir comida pastosa por uma sonda, o que significava que eu precisava esterilizar todas as coisas que usava pra manipular a comida dela antes e depois de dar. Então eu lavava as coisas dela, fervia água e deixava as coisas de molho um tempo na água fervida. Pois bem, eu perdi a conta de quantas vezes eu coloquei água pra ferver, esqueci pra sempre e só ouvia minha mãe me berrando que a panela dela estava ficando preta. Chegou num ponto que minha mãe falava pra eu deixar que ela ferveria a água. 

Ontem eu estava assistindo o debate dos candidatos pra governador do Rio, já com sono, e me deu fome, daí eu resolvi fazer um miojo (finge que não sou nutricionista pfvr). Quem já leu minhas outras histórias sabe que eu sou um perigo com sono. 
Como eu não queria perder o debate, eu coloquei água na panela, taquei o miojo, deixei lá e fui continuar a assistir o debate. Perdi a noção do tempo, comecei a ouvir um barulhinho e pensei: "ah, tudo bem, começou a ferver agora".Quando achei que já tinha passado tempo o suficiente, voltei lá e a água já tinha secado toda e o miojo grudado no fundo da panela, mas ainda dava pra comer. O barulhinho que achei que era a água fervendo, era a água que já tinha secado. Fui correr pra salvar o máximo de miojo possível  e vi que não tinha prato limpo - e que eu não iria lavar - daí peguei um pote pra pôr o miojo. Na pressa, o que eu fiz??? Coloquei o pote em cima da boca do fogão que eu tinha acabado de apagar e logo fui colocando o miojo dentro dele. Quando me dei conta o fundo do pote já estava derretido no formato da boca do fogão, e ainda misturando plástico ao meu miojo (era muito pra eu não comer o miojo, NÃO COMAM MIOJO). O desespero maior ainda se tornou minha mãe vendo que eu destruí o tupperware dela. 

Meia noite e lá estava eu arrumando um lugar pra esconder o pote derretido pra minha mãe não passar 3 dias reclamando no meu ouvido (reclamação é pior do que apanhar, fato). 

Ps: eu comi o miojo com plástico mesmo porque aqui nóis não cai nas armadilhas de satanás!!!

Tell me how i’m supposed to live with no air

Ultimamente eu tenho lidado com a ingratidão e isso tem me deixado bem triste. Parar pra pensar nas pessoas que decidiram sair da minha vida sem eu saber o porquê me incomodou, mas me incomodou mais ainda notar que eu me importo com gente que não me dá a mínima. Se uma pessoa decidiu que não queria mais ser minha amiga e saiu espalhando mentiras sobre mim pela faculdade, por que eu deveria fazer questão de manter essa amizade? E eu era uma pessoa mais bem resolvida quanto a essas coisas no passado, por que agora fiquei tão sentimental? Eu boto a culpa de tudo no meu descontrole hormonal, o que não duvido que seja mesmo, é tipo como fica uma mulher durante a gravidez. Daí eu tenho uma lista de gente que eu queria mandar mensagem perguntando QUAL É A PORRA DO PROBLEMA DELA, mas, não vale a pena. Eu não sei resolver questões calmamente, quando eu tô magoada eu quero brigar e chorar etc. E até quando eu estou de boa, pelo meu modo de falar (ou escrever) as pessoas acham que eu estou brigando porque eu sou naturalmente direta e reta, o que confundem com grosseria.

“ah Paola, mas isso não é motivo de você brigar com as pessoas”

A pessoa é sua amiga, vocês se divertem juntos, vocês conversam, vocês compartilham a vida, daí um certo dia a pessoa decide que por algum motivo, que você não sabe qual, ela vai te ignorar. Ela vai sequer ler a marcação que você fez com o nome dela no facebook, ela vai responder seu comentário com “rs”, ela vai menosprezar o seu “vamos marcar alguma coisa”, ela não vai responder as suas mensagens, ela vai trocar de número e sequer te mandar uma mensagem enviando o novo. Resumindo, ela se torna uma pessoa seca com você, e isso tudo, frisando, SEM VOCÊ SABER O QUE TÁ ACONTECENDO. Daí eu tenho que ser calma, como se eu não tivesse um bando de planeta em áries no meu mapa astral.

Eu não sei que tipo de amigos as pessoas costumam ter, mas eu sou o tipo de pessoa que se eu sou sua amiga eu vou com você pra qualquer lugar, eu vou te ajudar com tudo que você precisar, eu vou estar com você em todos os momentos, eu vou inclusive ser chata, mas com a consciência de que sou uma ÓTIMA amiga. Não sou modesta, porque eu sei que sou ótima.

Semana passada eu parei pra refletir sobre isso e fiquei bem triste. Com tudo que eu faço pelas pessoas, eu não mereço isso. E daí, como tudo que me incomoda na vida, eu comecei a escrever pra desabafar, mas logo larguei de lado e esqueci. Ontem eu me deparei com – mais – uma dessas situações (que provavelmente já aconteceu há bastante tempo mas eu só vi ontem) e fiquei com raiva. RAIVA mesmo, por causa da pessoa envolvida. Eu tinha todos os motivos pra mandar essa pessoa tomar no meio do cu, tinha todos os motivos pra odiar ela, tinha todos os motivos pra meter um soco na cara dela, e inclusive passei muito tempo querendo fazer exatamente essas coisas, mas, não fiz. Eu aprendi o dom do perdão, me libertei, mentalizei VAI COM DEUS, SEJA FELIZ de coração e a vida seguiu na mais perfeita benção de Jesus. Eu segui sem bloquear ninguém de lugar nenhum, sem excluir, sem dar unfollow, nada. Segui com o “eu te perdoo e podemos ser COLEGAS”. Daí que ontem a vida me guiou pro veredito. Por uma situação no instagram em que fui falar com uma pessoa que tem o mesmo nome, e na hora que digitei o nome apareceu primeiro o perfil da pessoa que vamos chamar aqui de o estrupício ingrato. Eu, como boa reparadora, logo notei que o user do estrupício ingrato estava diferente e fiquei com uma pulga atrás da orelha (e não era de um dos meus gatos).
O que eu pensei: ok, a pessoa trocou o user normal, muita gente faz isso. Pensei também na possibilidade de a pessoa ter feito outro instagram, o que também seria ok.
O que a realmente era: a pessoa repaginou todo o perfil, provavelmente apagou muitas fotos e deixou de seguir várias pessoas, inclusive EU.

“ah Paola, você ficou brava porque a pessoa parou de te seguir no instagram?”

CLARO QUE NÃO!!! Eu fiquei brava porque eu tive que passar por cima de uma parede formada por 347 Paolas umas em cima das outras pra tentar pensar na possibilidade de ser colega da pessoa, porque eu não sou uma pessoa que gosta de passar por cima do passado, que não gosta de esquecer, mesmo que doesse, porque eu sei que aquilo ali me fez crescer, fez parte da pessoa que sou hoje. Pra pessoa vir e simplesmente passar por cima disso naturalmente. Eu fiquei brava por não conseguir fazer essas coisas com os outros como muitas vezes já fizeram comigo.
Mas, eu não deveria ficar brava, porque eu não sou a escrota da história. Eu não fui a pessoa escrota no passado e continuo não sendo a escrota no presente (seja lá há quanto tempo isso aconteceu).

Quando cheguei no escritório hoje, estava tocando uma das músicas que mais me fazia lembrar do estrupício ingrato na época. Música velhíssima, não sei nem porque estava tocando e eu lembrei desse episódio e retomei meu texto. Um bom exemplo de pessoas que resolvem sair da sua vida e você fica sem entender nada. E esse caso é o que menos entendo. Eu fiz tudo que eu podia fazer pra proteger essa pessoa, pensei mais no bem dela do que no meu, fui mal interpretada (óbvio), e depois ainda tive de retorno tudo o que passei que não vou falar aqui porque PASSOU.

Por um mundo onde as pessoas valorizem mais as pessoas que tem ou já tiveram, que valorizem o que elas significaram, que valorizem o aprendizado deixado, e, principalmente, que valorizem as pessoas que ainda estão com elas. A pessoa que foi minha amiga e inventou um monte de mentiras de mim na faculdade, a quem me referi no início do texto, eu sou muito grata. Grata por todas as festas, conversas, conselhos, companhia, fugidas, tudo. Tudo mesmo. Eu nunca tive raiva dela e nunca vou ter. O mesmo se estende ao estrupício ingrato. Se não fosse essas pessoas que passaram pela minha vida eu não teria aprendido, não seria quem sou hoje. Então, muito obrigada. Mesmo que vocês tenham cortado relações por motivos que eu não entendo e nem quero mais entender. Eu não quero significar mais nada para as pessoas que já fizeram questão de me excluir da vida delas, eu só quero que elas deem valor as pessoas que ainda tem na vida delas. PAZ. 

19 de setembro de 2018

A saga da doação de sangue

Eu sou uma pessoa com mania de doação. Dou minhas roupas, meus sapatos, meu cabelo, os remédios que sobram quando termino um tratamento, quero doar meus órgãos quando morrer, e sempre sempre sempre quis doar sangue, mas nunca pude porque nunca conseguia chegar aos 50 kg. Eis que ano passado não só cheguei aos 50 quilos, como também cheguei aos 51, então pensei: ESSE É O MEU MOMENTO!!! Mas, eu sou cagada até quando tô fazendo uma boa ação. Bom, lá fui eu pro hemorio cheia de receios quanto a agulha mas mentalizando que tudo seria por uma causa maior. 

Chegando lá: 
1- preenchi as coisas com os meus dados; 
2- respondi um questionário sobre minha vida;
3- fui pra uma mini consulta com uma enfermeira que me perguntou algumas coisas acerca do que tinha respondido no questionário, espetou meu dedo pra avaliar no meu sangue se eu tinha anemia, conversamos super sobre nutrição, ela questionou por que eu tinha comido tão pouco no café da manhã e, em seguida, ela me pesou. Eu só pensava: "VAMO LÁ HEIN BALANCINHA", e apareceu no visor: 51 kg. Ok. 
Daí ela anotou na minha ficha: 50 kg. E o meu receio voltou a ser novamente não poder doar. Daí houve o diálogo:

- "nãããão moça, deu 51 kg na balança".
- "sim, mas descontamos 1 kg pela roupa".
- "eu sei, mas essa minha roupa não é pesada não".
- "mas é padrão, preciso anotar o seu peso descontando 1 kg".
- "mas moça, com 50 kg não vão me deixar doar".
- "vão sim, eu vou liberar você".
- "então tá bom".

FUI.

Longo tempo de espera, comi várias coisas, até que me chamaram. Quando eu sentei na cadeira, a moça que iria tirar meu sangue grita:
"Ô FULANINHA, ESSA MENINA (ao que parece nunca terei o privilégio de ser chamada de mulher nessa vida) TEM 50 KG SÓ, POSSO TIRAR O SANGUE DELA?"
Daí a outra moça respondeu: "pode, só não pode se tiver menos de 50 kg".
Então doei o sangue, recebi informações pra acessar o site depois de 30 dias pra ter o resultado do meu sangue, comi várias coisas e fui embora.


DOEI O RAIO DO MEU SANGUE!!!!



30 dias depois...
Entrei no site do hemorio pra ver o resultado do exame do meu sangue e eis que recebo um e-mail dizendo: houve uma alteração no seu sangue, ele não pôde ser utilizado e foi descartado. pedimos que retorne ao hemorio para realizarmos uma avaliação.

Gente. Eu fiquei LOUCA. Eu queria chorar, queria preparar meu testamento, pesquisei no google tudo o que aquilo poderia significar, de qual doença eu estava morrendo, etc. Eu fiz um drama IMENSO, botei todos nervosos, até o senhor meu namorado dizer que estaria passando na minha casa 6 da manhã do dia seguinte pra irmos lá. 
Na ida, eu estava 100% num clima fúnebre. "não sei como eu tenho doenças"; "cê cuida do eddie pra mim. abre a bica do box pra ele que ele gosta"; PAOLA VOCÊ NÃO TÁ MORRENDO! "mas daí cê leva a snow também porque o eddie não vive sem ela e ela não vive sem ele". AFF.
Ele inclusive me contou o palpite da minha sogra: "pode ser sífilis".  AH MAS SÓ ISSO, que bom então, né? (¬¬)
PORRA, MAS QUE TIPO DE GENTE ESSE POVO ACHA QUE EU SOU? Pelo menos ficar brava me fez ficar mais calma com relação ao exame (um paradoxo, eu sei. lua em áries, etc). 

RESUMINDO PORQUE AINDA TEM MUITA COISA: cheguei lá, a médica me explicou a alteração que tinha dado, me perguntou sobre minha saúde nos últimos 30 dias, encontramos a possível (e provável) causa para a alteração e me botou para fazer um exame de confirmação. Claro que não farei mistério: minha alteração foi justamente em um teste para HIV. A médica me explicou que para eu ter HIV de fato eu precisaria ter alteração nos 2 testes determinantes para HIV, mas eu só tinha alteração em um deles, que então provavelmente não era HIV, mas eu precisaria fazer um exame de confirmação. E MEU TESTE PRA SÍFILIS DEU NEGATIVO TÁ BOM QUERIDA. 
Mas e a causa afinal? Infecção urinária. Eu tive os primeiros sintomas no dia seguinte à doação, melhorei no 2º dia e no 3º piorei absurdamente a ponto de fazer xixi com sangue. No dia que doei eu já estava com a infecção, mas assintomática. Por isso meu sangue não pôde ser utilizado.  

Informações que serão importantes para a continuação da história:
- eu fiz a doação de sangue no dia 24/06/2017
- eu retornei ao hemorio para consulta e exame de confirmação no dia 27/07/2017


NOVE/JANEIRO/2018...
Ligaram pra minha casa da clínica da família do meu bairro pedindo para que eu fosse a uma consulta NO DIA SEGUINTE (sente essa urgência do SUS) porque o doutor não-sei-quem queria conversar comigo. Eu respondi que havia alguma coisa errada porque eu não conhecia o doutor não-sei-quem e sequer havia ido a alguma consulta por lá. Eis que a moça respondeu: "mas você doou sangue recentemente, não foi?", respondi: "ano passado", e ela: "então..."

Meu mundo acabou.
"Não, dessa vez é sério, eu realmente estou morrendo. Deu alteração no exame de confirmação que eu fiz, não tem como eu fugir do diagnóstico. Eu vou chegar lá amanhã e ele vai falar que eu tenho 3 dias de vida. Acabou. Eu acho que não quero tratar (...)" 
Na consulta no dia seguinte, o médico estava sendo super delicado comigo. Eu tremia e não era o ar condicionado. Até que ele falou: 
"...porque você fez uma doação de sangue em dezembro do ano passado..."
"OPAAA, não. foi em junho"
"nossa, bastante tempo. nós só recebemos a notificação da alteração no sangue na semana passada"
Aí eu relaxei. Eu estava ali morrendo achando que meu exame de confirmação tinha dado alterado, mas na verdade é o sistema do SUS que é INCOPETENTE e demorou 7 MESES pra enviar uma notificação. E se eu fosse cardíaca? E se eu tivesse um colapso? Cê não pode brincar com meu prolapso na válvula mitral não, senhor SUS. 
O médico acabou fazendo teste em mim pras todas as DSTs na mesma hora, e ainda me pediu um exame de sangue comprobatório específico pra HIV. 

E foi assim a história de quando eu tentei fazer o bem e perdi 2 anos de vida devido aos micro infartos que tive graças ao senhor SUS. Mas eu não desisti de doar sangue! Pretendo retornar assim que terminar um tratamento que me impede de doar. Não levem meu causo como base, acredito que esse tipo de experiência seja uma exceção. E nada pode ser maior do que nosso ímpeto de ajudar o próximo.