Quando assisti o novo comercial das Havaianas (novo pra mim que praticamente não assisto TV), fizeram questão de me lembrar de um dos episódios mais ridículos pelo qual já passei. Aliás, aqui em casa ninguém me deixa esquecer isso. Minha família é bem legal sim.
Há muitos anos atrás, eu devia ter uns 12/13 anos, fomos à praia. Praia de Ipanema, pra ser mais específica. E na praia de Ipanema, pra você chegar na água, tu tem que percorrer 754 km de areia. Areia deliciosíssima, com temperatura média de 96ºC. Caminhada bem agradável. Eu odeio areia. Se fizessem uma praia sem areia talvez eu gostasse dela. Talvez. Então eu na praia fico fazendo malabarismos para que eu tenha o mínimo de contato possível com ela.
Ok, divertido, tomei mais caixotes do que é tolerável pra um ser humano normal, e daí chegou a hora de ir pra casa. Fui naqueles chuveiros tirar um pouco da areia do corpo, penteei o cabelo, vesti alguma coisa e pronto, já podemos ir. Foi aí que pensei: "já que vamos pra casa andando e são uns 10 minutos de caminhada, vou lavar meu chinelo nesse chuveiro e quando eu chegar na calçada eu só jogo uma água nos pés pra ir até em casa sem tanta areia me incomodando". Teoria sempre linda. Tudo sempre maravilhoso, difícil é dar certo na vida. E fui eu e minha bendita ideia idiota andando descalça naquela areia demoníaca. Percorri uns 50 metros e minha mãe já estava gritando:
"BOTA ESSE CHINELO QUE A AREIA TÁ MUITO QUENTE"
"Tá quente nada, mãe. Tá de boa." (macha pra caraca)
Mas parecia que eu tava andando numa frigideira. E minha mãe gritou de novo:
"PAOLA BOTA ESTA PORRA DESTE CHINELO!!!!!!"
"Eu tô bem, mãe. Eu consigo." (já disse que vou colocar "tenacidade" como meu novo sobrenome?)
Cara, uns segundos depois disso meus pés queimavam como se tivessem labaredas em baixo deles e eu não conseguia dar mais nem um passo, mas ainda assim eu estava insistindo que faltava pouco e eu conseguiria. Maldita praia de Ipanema com seus 754 km de areia me impedindo de realizar meus sonhos.
Daí em determinado momento finalmente desisti e resolvi colocar os chinelos (eu já estava quase chorando). No desespero, joguei os chinelos no chão e é aquela história né: se alguma coisa pode dar errado, ela provavelmente dará. Os dois chinelos caíram na areia virados para baixo. Nessa hora as outras pessoas da minha família já estavam na calçada assistindo o espetáculo me esperando. E fui eu virar os chinelos, mas tinham muitas coisas na minha mão de forma que eu não consegui fazer isso rápido. E os meus pés pegando fogo quase literalmente (parecia mesmo). Daí me abaixei e fui desvirar o primeiro chinelo, me desequilibrei, caí de bunda no chão, não conseguia levantar porque meus pés não aguentavam nem mais 1 segundo naquela areia, daí meu bumbum começou a pegar fogo também, e eu desesperada comecei a chorar muito, mas muito mesmo, histericamente, e nenhum desses meus parentes vieram me salvar, pelo contrário, estavam morrendo de rir de mim. Naquela altura eu já tinha desistido de tudo e minha intenção era cavar um buraco naquela areia escaldante e me enterrar nele de tanta vergonha que eu estava sentindo, até que veio um vendedor bonzinho e colocou os meus chinelos em mim e me ajudou a levantar. Rindo demais da minha cara, mas eu deixo ele ter rido só porque ele me ajudou. Cheguei na calçada putíssima e aquelas hienas não paravam de me mostrar os dentes. E fui até em casa putíssima, com eles atrás de mim me imitando e rindo. Quando chegamos no prédio fomos lavar as pernas na garagem pra tirar o resto da areia, e, no caso, a areia do meu bumbum, só que eu tava tão queimada que não aguentava nem a água nos meus pés. Foram vários dias de pomadinha e dormindo de bumbum pro alto.
Obrigada Havaianas, sempre bom lembrar dessas histórias constrangedoras.
Nenhum comentário:
Postar um comentário