3 de outubro de 2018

Tell me how i’m supposed to live with no air

Ultimamente eu tenho lidado com a ingratidão e isso tem me deixado bem triste. Parar pra pensar nas pessoas que decidiram sair da minha vida sem eu saber o porquê me incomodou, mas me incomodou mais ainda notar que eu me importo com gente que não me dá a mínima. Se uma pessoa decidiu que não queria mais ser minha amiga e saiu espalhando mentiras sobre mim pela faculdade, por que eu deveria fazer questão de manter essa amizade? E eu era uma pessoa mais bem resolvida quanto a essas coisas no passado, por que agora fiquei tão sentimental? Eu boto a culpa de tudo no meu descontrole hormonal, o que não duvido que seja mesmo, é tipo como fica uma mulher durante a gravidez. Daí eu tenho uma lista de gente que eu queria mandar mensagem perguntando QUAL É A PORRA DO PROBLEMA DELA, mas, não vale a pena. Eu não sei resolver questões calmamente, quando eu tô magoada eu quero brigar e chorar etc. E até quando eu estou de boa, pelo meu modo de falar (ou escrever) as pessoas acham que eu estou brigando porque eu sou naturalmente direta e reta, o que confundem com grosseria.

“ah Paola, mas isso não é motivo de você brigar com as pessoas”

A pessoa é sua amiga, vocês se divertem juntos, vocês conversam, vocês compartilham a vida, daí um certo dia a pessoa decide que por algum motivo, que você não sabe qual, ela vai te ignorar. Ela vai sequer ler a marcação que você fez com o nome dela no facebook, ela vai responder seu comentário com “rs”, ela vai menosprezar o seu “vamos marcar alguma coisa”, ela não vai responder as suas mensagens, ela vai trocar de número e sequer te mandar uma mensagem enviando o novo. Resumindo, ela se torna uma pessoa seca com você, e isso tudo, frisando, SEM VOCÊ SABER O QUE TÁ ACONTECENDO. Daí eu tenho que ser calma, como se eu não tivesse um bando de planeta em áries no meu mapa astral.

Eu não sei que tipo de amigos as pessoas costumam ter, mas eu sou o tipo de pessoa que se eu sou sua amiga eu vou com você pra qualquer lugar, eu vou te ajudar com tudo que você precisar, eu vou estar com você em todos os momentos, eu vou inclusive ser chata, mas com a consciência de que sou uma ÓTIMA amiga. Não sou modesta, porque eu sei que sou ótima.

Semana passada eu parei pra refletir sobre isso e fiquei bem triste. Com tudo que eu faço pelas pessoas, eu não mereço isso. E daí, como tudo que me incomoda na vida, eu comecei a escrever pra desabafar, mas logo larguei de lado e esqueci. Ontem eu me deparei com – mais – uma dessas situações (que provavelmente já aconteceu há bastante tempo mas eu só vi ontem) e fiquei com raiva. RAIVA mesmo, por causa da pessoa envolvida. Eu tinha todos os motivos pra mandar essa pessoa tomar no meio do cu, tinha todos os motivos pra odiar ela, tinha todos os motivos pra meter um soco na cara dela, e inclusive passei muito tempo querendo fazer exatamente essas coisas, mas, não fiz. Eu aprendi o dom do perdão, me libertei, mentalizei VAI COM DEUS, SEJA FELIZ de coração e a vida seguiu na mais perfeita benção de Jesus. Eu segui sem bloquear ninguém de lugar nenhum, sem excluir, sem dar unfollow, nada. Segui com o “eu te perdoo e podemos ser COLEGAS”. Daí que ontem a vida me guiou pro veredito. Por uma situação no instagram em que fui falar com uma pessoa que tem o mesmo nome, e na hora que digitei o nome apareceu primeiro o perfil da pessoa que vamos chamar aqui de o estrupício ingrato. Eu, como boa reparadora, logo notei que o user do estrupício ingrato estava diferente e fiquei com uma pulga atrás da orelha (e não era de um dos meus gatos).
O que eu pensei: ok, a pessoa trocou o user normal, muita gente faz isso. Pensei também na possibilidade de a pessoa ter feito outro instagram, o que também seria ok.
O que a realmente era: a pessoa repaginou todo o perfil, provavelmente apagou muitas fotos e deixou de seguir várias pessoas, inclusive EU.

“ah Paola, você ficou brava porque a pessoa parou de te seguir no instagram?”

CLARO QUE NÃO!!! Eu fiquei brava porque eu tive que passar por cima de uma parede formada por 347 Paolas umas em cima das outras pra tentar pensar na possibilidade de ser colega da pessoa, porque eu não sou uma pessoa que gosta de passar por cima do passado, que não gosta de esquecer, mesmo que doesse, porque eu sei que aquilo ali me fez crescer, fez parte da pessoa que sou hoje. Pra pessoa vir e simplesmente passar por cima disso naturalmente. Eu fiquei brava por não conseguir fazer essas coisas com os outros como muitas vezes já fizeram comigo.
Mas, eu não deveria ficar brava, porque eu não sou a escrota da história. Eu não fui a pessoa escrota no passado e continuo não sendo a escrota no presente (seja lá há quanto tempo isso aconteceu).

Quando cheguei no escritório hoje, estava tocando uma das músicas que mais me fazia lembrar do estrupício ingrato na época. Música velhíssima, não sei nem porque estava tocando e eu lembrei desse episódio e retomei meu texto. Um bom exemplo de pessoas que resolvem sair da sua vida e você fica sem entender nada. E esse caso é o que menos entendo. Eu fiz tudo que eu podia fazer pra proteger essa pessoa, pensei mais no bem dela do que no meu, fui mal interpretada (óbvio), e depois ainda tive de retorno tudo o que passei que não vou falar aqui porque PASSOU.

Por um mundo onde as pessoas valorizem mais as pessoas que tem ou já tiveram, que valorizem o que elas significaram, que valorizem o aprendizado deixado, e, principalmente, que valorizem as pessoas que ainda estão com elas. A pessoa que foi minha amiga e inventou um monte de mentiras de mim na faculdade, a quem me referi no início do texto, eu sou muito grata. Grata por todas as festas, conversas, conselhos, companhia, fugidas, tudo. Tudo mesmo. Eu nunca tive raiva dela e nunca vou ter. O mesmo se estende ao estrupício ingrato. Se não fosse essas pessoas que passaram pela minha vida eu não teria aprendido, não seria quem sou hoje. Então, muito obrigada. Mesmo que vocês tenham cortado relações por motivos que eu não entendo e nem quero mais entender. Eu não quero significar mais nada para as pessoas que já fizeram questão de me excluir da vida delas, eu só quero que elas deem valor as pessoas que ainda tem na vida delas. PAZ. 

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