4 de setembro de 2014

Passa a Cantareira pra cá que eu encho!

Eu cresci ouvindo sempre da minha mãe sobre como casar era o sonho da vida dela. Como ela tanto queria aquela festa enorme, entrar de véu e grinalda na igreja e usar uma aliança na mão esquerda. Eu nunca consegui entender como que uma coisa tão banal como uma festa pudesse ser algo tão crucial na vida de uma pessoa. Eu cresci também vendo o quanto minha mãe é frustrada por nunca ter tido isso. Desde sempre a vejo chorando em casamentos e sempre indo tentar pegar o buquê. 46 anos e ela ainda não desistiu, mas será que ela está errada?
Eu, por outro lado, sempre achei que a cerimônia do casamento era algo apenas simbólico, que casamento na verdade é muito mais que aquilo. E, sempre me baseando pela vida dos meus pais, eu dizia que não queria casar. Nem cerimônia, nem nada. Daí junta a vida dos meu pais, mais meus relacionamentos conturbados, e eu quase virei freira. 
Um dia desses eu vi na mesa da cozinha um livro da minha mãe que chamava “ela só queria casar”. Na hora me deu um aperto por dentro e um remorso por todas as vezes que eu julguei minha mãe pelo que ela fazia, ignorando tudo que ela sentia. Nisso, eu pensei que se aquele era um livro pra minha mãe, qual seria o título de um livro pra mim?
"Ela só queria ser suficientemente amada"
Nesse momento eu desabei. Chorei freneticamente bem ali na cozinha, lavando a louça, e sequei minhas lágrimas em um pano de prato já molhado e com cheiro de detergente. Ela só queria ser suficientemente amada. Ela só queria ser amada. Ela só queria ser suficiente. E aquela sensação horrorosa que diz que você não basta, nem nunca bastou, pra nenhuma pessoa. Que nunca foi uma boa filha, uma boa irmã, uma boa amiga, uma boa namorada. Esse pensamento incômodo do qual tenho que ficar fugindo o dia inteiro, mas que não consigo escapar a noite. Ele que me faz dormir tarde e acordar com os olhos inchados e a cabeça doendo. 
Desculpa, eu queria ser boa pra você. Só Deus e eu sabemos o quanto. Queria te completar, ser teu tudo. Queria que você precisasse de mim e sentisse tanta saudade quanto eu sinto. Queria ser teu primeiro e último pensamento do dia. Queria te fazer plenamente feliz. Queria que você não conseguisse viver sem mim. Queria ser importante. Todos pensamentos egoístas sim, mas que traduzem apenas o meu desejo: o título do meu livro.
"If you’re my only one, so could you only one? I want to be your one, enough. Your one, your one, your one." E o Pearl Jam sempre tem uma música pros meus momentos…
São Paulo me agradecerá!

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